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Bali sem mar

(Artigos no Estado de Sao Paulo, 29 junho e 01 de julho de 2009)
No blog da CLÁUDIA TREVISAN

29.06.09
Bali sem mar
por Cláudia Trevisan, Seçao : Viagem 06:50:38

Praia é a primeira imagem que vem a mente quando se pensa em Bali, mas a ilha na Indonésia tem uma personalidade que vai muito além das boas ondas e do mar azul. Na semana passada, conheci um pouquinho desse outro mundo, marcado pela profunda religiosidade dos 3,2 milhoes de habitantes da ilha, 93% dos quais professam um hinduísmo com toques budistas. Os hindus sao majoritários em Bali, mas minoritários na Indonésia, que é o mais populoso país islâmico do mundo, 86% de seus 240 milhoes de habitantes sao muçulmanos.

O cotidiano dos balineses é impregnado de rituais para agradar os deuses e apaziguar os demônios. Entre eles, o mais comum é a entrega de oferendas nos milhares de templos espalhados pela ilha. Há 20 mil públicos e um número incontável nas casas das pessoas, todas equipadas com seu templo familiar. O hinduísmo tem um panteao de deuses e os balineses tiveram que adaptar sua fé a Constituiçao da Indonésia, segundo a qual todas as religioes professadas no país devem ser monoteístas. A soluçao foi declarar que os moradores da ilha acreditam em um único deus, Sanghyang Widi Wasa, que se manifesta nas tres principais divindades do hinduísmo : Brahma, Vishnu e Shiva.

Mas os balineses continuam a ver o divino ou o demoníaco nas montanhas, no sol, nos rios, nas árvores, no mar e realizam rituais para se harmonizar com essas forças e evitar que elas manifestem sua fúria. Muitos na ilha acreditam que Bali foi poupada do devastador tsunami de 2004 em razao dos elaborados rituais realizados para purificar a ilha e agradar os demônios que habitam o mar - os deuses ficam nas altas montanhas.

Minha primeira parada em Bali foi a cidade de Ubud, que fica a uns 40 minutos da costa e é considerada o centro cultural da ilha. Uma despretensiosa caminhada pode ser interrompida por procissoes de balineses que carregam oferendas e tocam música para os deuses. As manifestaçoes artísticas tem um caráter religioso e sao executadas como uma forma de ritual : a música, a dança, a pintura e a escultura quase sempre tem a funçao de reverenciar o divino.

Ao redor e ao norte de Ubud, há inúmeras vilas rurais dedicadas a plantaçao de arroz, nas quais todas as casas tem templos logo na entrada. Também há vilas dedicadas ao artesanato e divididas de acordo com sua especialidade. Algumas só fazem esculturas em pedra, outras se dedicam ao entalhe de madeira, outras a prata, aos sarongues e assim por diante.
Aí vao algumas fotos que revelam a Bali além-mar :


Procissao nas ruas de Ubud, na qual as mulheres levam oferendas na cabeça, os homens tocam instrumentos e todos cantam



As oferendas sao arrumadas em pequenas cestas de folha de bananeira e trazem arroz, frutas, flores e incenso. Elas estao presentes em virtualmente todos os lugares de Bali


Cercada de oferendas, mulher reza em templo no centro de Ubud


Entrega de oferendas e oraçao no mesmo templo


Campos de arroz e o vulcao Agung, a mais alta e mais sagrada montanha de Bali. Os templos das casas sao construídos na direçao do vulcao e muitos balineses dormem com suas cabeças voltadas para ele


Vila rural na qual os moradores secam arroz em frente as suas casas


Entrada para o templo familiar de uma casa balinesa; em seguida, o templo construído ao ar livre, como todos os demais



A dança é fundamental na vida dos balineses e todos aprendem a arte quando crianças. Os que possuem mais talento sao escolhidos para se dedicarem a atividade na vida adulta. Os movimentos dos olhos, exageradamente abertos, dos dedos das maos, da cabeça e dos pés dao um caráter único a dança balinesa


Dançarino durante espetáculo em Ubud


Meu próximo post será sobre o mar, visto de uma pequena ilha vizinha de Bali

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