• Home
  • Embaixada
  • Turismo
  • Cultura
  • Noticias
  • Contato
NOTÍCIAS

 

Eleiçao Presidencial na Indonésia

Crédito : Mirella D'Elia

08/07/2009

As vésperas das eleiçoes presidenciais, a Indonésia respira ares democráticos e está pronta para escolher seu governante pelos próximos cinco anos. Depois de submergir durante tres décadas de silencio ditatorial, o país-arquipélago do Sudeste Asiático, composto por mais de 17 mil ilhas e habitado por 240 milhoes de pessoas - a quarta maior populaçao do mundo -, volta hoje as urnas para eleger o sucessor do presidente Susilo Bambang Yudhoyono. Cerca de 175 milhoes de eleitores estao inscritos, o que faz da Indonésia uma das tres maiores democracias do mundo, e a mais jovem entre elas.

Susilo chegou ao poder em 2004, na primeira eleiçao direta após a queda do ditador Suharto, que governou por 32 anos. Hoje com 59 anos, esse general reformado é favorito a se reeleger em primeiro turno para mais um mandato de cinco anos. Nas últimas pesquisas, ele apareceu com larga vantagem sobre os principais oponentes, a ex-presidenta Megawati Sukarnoputri e o atual vice, Jusuf Kalla. Ao fim de uma disputa praticamente sem registros de violencia, o mandatário pediu aos cidadaos que fizessem desse processo eleitoral "um sucesso" internacional, coroado por uma votaçao "realmente honesta, justa, livre e secreta".

A campanha eleitoral nas ruas de Jacarta, a frenética capital do país na Ilha de Java, com cerca de 15 milhoes de habitantes, nao foi explícita como os brasileiros estao acostumados a ver. Nao fossem os comites eleitorais em alguns pontos da cidade ou esparsas inserçoes na TV, mal daria para perceber. Retrato do descaso? Nao, apenas uma maneira diferente de pensar política em um país com a democracia ainda em desenvolvimento. Basta abrir os jornais para perceber que a eleiçao é tema recorrente. Outro: a batalha para derrotar a corrupçao, que se tornou mais visível com o fim dos anos de chumbo.

Corrupçao

A queda de braço começou em 2003, com a criaçao de um painel contra os crimes de colarinho branco, batizado de Comissao de Erradicaçao da Corrupçao. Entre janeiro e abril de 2009, chegou a 425 o total de casos investigados, segundo o Jacarta Post, que cita estatísticas oficiais. Em apenas quatro meses, a corrupçao custou aos cofres públicos 2 trilhoes de rúpias, o equivalente a espantosos US$ 194 milhoes. "Isso poderia levar a Indonésia a falencia", ressaltou o jornal.

Apesar do esforço, autoridades admitem que nao vai ser fácil recuperar tanto dinheiro. Vários corruptos condenados pela Justiça fugiram do país. "A maioria dos casos ocorreu há muitos anos, o que torna difícil reunir evidencias e testemunhas", lamenta o advogado-geral da Indonésia, Hendarman Supandji.

Para se ter uma ideia, apenas um dos cinco fugitivos procurados, Adrian Kiki Ariawan, foi condenado a revelia, em 2002, sob a acusaçao de ter desviado 1,9 trilhoes de rúpias, cerca de US$ 175 milhoes, em um esquema envolvendo o Bank Indonesia Liquidity (BLBI), em 1997. Ariawan está sob custódia do governo australiano e sua extradiçao está pendente. Como ele ainda pode recorrer, o caso pode se arrastar por anos.

"Estamos passando por um momento de mudança. Antes, as pessoas fechavam os olhos quando viam alguém ostentando carros caríssimos depois de poucos anos em um cargo público", comenta Lucky Sa'ud, funcionário da chancelaria indonésia. "Por isso essa eleiçao está sendo considerada tao importante: ela vai consolidar nossa democracia", aposta. (Fonte : Correio Braziliense)


Ler outras notícias